O difícil é enfrentar o erro de não se previnir

sábado, 7 de junho de 2014

Cabelos - Capítulo à parte...

Meus cabelos foram um capítulo à parte...

Quem me conhece desde sempre, sabe que sempre usei cabelos muito curtos. Desde os quinze anos... Rebelde, né? ADORAVA ouvir meu pai dizer:

"- De novo com este cabelo de homem?"

Sentia uma certa superioridade sobre ele. Afinal de contas, isso ele não podia controlar! hehehehe...

Há três anos atrás, decidi cultivar uma cabeleira bem bacana... E consegui! Foram anos longos... Cuidei, hidratei, tratei, tingi, cortei, fiz progressiva, prendi, soltei...

Virou marca registrada e um verdadeiro "tesouro"... Nada era mais importante, no quesito vaidade, do que a minha cabeleira... hehehehe...

O Marco AMA cabelo comprido. Mais uma razão para deixá-lo impecável.

Mas, com todos estes acontecimentos, decidi fazer uma promessa, através da minha mãe, para Nossa Senhora (em qualquer que seja sua nomenclatura - de Fátima, Aparecida, Desatadora dos Nós). Enfim... Pensei, pensei, pensei... Numa madrugada muito longa, daquelas que a insônia chega e não vai embora de jeito nenhum.

Lembrei que tinha assistido uma matéria linda sobre doação de cabelos para perucas destinadas às crianças com câncer e que perderam seus cabelinhos. 

Lá fui eu para o "oráculo" Google pesquisar!

Amei tudo o que vi e li. Chama-se CABELEGRIA e faz um trabalho sensacional. Pronto! Estava decidido! Cortaria o cabelo para doação! Independente de tratamento, se vou ou não fazer a químio... 

No dia seguinte (dia do exame - MAMOTOMIA), saímos do hospital, fomos para casa tomar um café e fui direto cortar meu cabelo com a Rose. Com o aval e o apoio do Marco!

A Rose cortava meu cabelo desde os 15 anos. Foram 20 anos de tesouras para lá e para cá! Não poderia ser com outra pessoa. Ela entenderia e cuidaria para que as mechas fossem preservadas para envio ao CABELEGRIA. Acredito muito que "nada é por acaso", pois não via a Rose há muito tempo e pouco antes disso tudo começar, ela me telefonou do nada... SINISTRO! hehehe...

Além disso, para minha surpresa, encontrei minha querida amiga de infância Andrea Tabith e sua mãe, a Dna. Neuci. Nossa... que delícia estar cercada por pessoas tão queridas!

Lá se foram minhas mechas, minhas lágrimas, minha vaidade tosca... 

Confesso que ainda me sinto um pouco estranha... Não acostumei ainda e está difícil deixar bom... De manhã é um sufoco... Acordo com ele todinho para cima, igualzinho ao Supla!!!! Por isso ainda não postei nenhuma foto atual de cabelos curtos... Ainda...

Uma semana se passou e hoje, arranjei uma caixinha bem bacana para colocar minhas mechas e enviar para as meninas do CABELEGRIA.



Aliás, vou encerrando por aqui porque preciso ir ao correio, despachar a ex-cabeleira por SEDEX. Tenho certeza que muitas peruquinhas serão feitas! Feliz pela decisão, certa da missão cumprida!!! 



BI RADS 4? Que m@%da é essa?

Bom, abri o tal do exame, li o laudo e vi lá, lá no meio do diagnóstico: BI RADS 4. Jesus, que m@%da é essa? Bi o que? 4 é bom? Deve ser... A escala é de 1 a 5. Mas, pode ser péssimo, pois a escala também é de 1 a 5... Não me lembro deste registro nas minhas aulas de medicina com o Google...

Tentei não entrar em pânico e, com celular pré-pago, 3G péssimo... Não dava para ter uma aula particular... Não naquele momento...

Um anjo bom sentou do meu lado e me perguntou: "- Oi? Você já fez Ressonância?...". Bastou para eu esquecer meu dilema e começar uma boa amizade com a nova minha amiga Neide, sedenta por diagnósticos também...

A primeira coisa que fiz quando cheguei em casa, antes de adicionar a Neide no meu Facebook, foi consultar o "oráculo"... Nossa... O verdadeiro "meu mundo caiu"... Definitivamente, BI RADS 4 não era nada bom... Não era...

Chorei, arrastei correntes pela casa, tomei banho, fumei, deitei, levantei, adicionei a Neide no meu Facebook e resolvi espalhar minha teoria fúnebre para os mais próximos, sempre eles: minha Cunha (cunhada/irmã), meu irmão (o maior que se pode ter), Marco (meu super companheiro), Tate (minha tia querida)... Aliás, minha tia é bastante peculiar... Agora, só de falar "oi, minha filha" para mim, já abre o berreirão! Tate! TE AMO! VOU MORRER NÃO!!!! Vamos de Frontal!!!!!

Bom, teorias a parte, vamos ser práticos e organizar a bagunça...

Liguei para a minha gineco, a Patty, e já, na mesma hora, obedecendo o laudo do Delboni, passou um exame complementar chamado MAMOTOMIA. 

Liguei para vários laboratórios e nada de cobertura do plano de saúde. Exame caro. E, na minha categoria, não havia sequer reembolso... Desespero total. Foi então que, naqueles momentos em que não se sabe porquê, mas se tem certeza do quê, minha mãe "soprou" no meu ouvido e eu consegui agendar, com cobertura, meu exame no Hospital Sírio Libanês. Dia seguinte, às 8 horas da manhã.

Nem deu tempo de ver no Google onde eu estava me metendo... Ainda bem...

Às 7 horas da manhã estávamos nós dois, eu e o Marco, no Sírio, para o tal exame. Chorei um monte! Morri de medo várias vezes... Agarrei na mão do Marco... Fui...

O exame não é nada agradável (nem vou descrevê-lo aqui). Mas, agradeço à Deus ter feito. Salvou minha vida. Trouxe o alerta!

Os daqui de casa não aguentam esperar o exame sair, no envelope, bonitinho... Ainda mais se podemos olhar pela internet. Então, achei melhor distribuir o login e a senha. Assim, todo mundo fica "controlando"...  

Os dias foram passando e angústia aumentando. É horrível esperar... Dias viram anos... Muito sofrimento... Muito medo de saber o que realmente está acontecendo dentro de você e você não tem a menor idéia do que possa ser.

Sempre fui bastante determinada e decidida e, naquele momento, era tão pequenininha... Tão impotente...

Graças a Deus, sempre estive acompanhada por aqueles que amo demais. Mas, resolvi não contar para o meu pai. Acho que ele, em sua fragilidade, não conseguiria aguentar... E, sinceramente, não acho que precise passar por isso.

Chegou o dia em que, logo cedo, abri o site do Sírio e vi... Carcinoma Lobular in situ...

CARCINOMA!!!! Câncer... Câncer... Câncer... Jesus! Como pude ser tão irresponsável comigo mesma? Tão ridícula e infantil por ter medo de "procurar e achar". Não é assim que nos sentimos quando sabemos que precisamos de médicos e exames? Que vamos achar? Pois é... Eu poderia ter achado... Achado um simples nódulo... Agora não... Dez anos sem exames de rotina e agora isso...

Temos dois caminhos na vida... Pelo amor ou pela dor... E, neste momento, vou pelos dois.

Muito choro, muita lamentação, muita negação depois, resolvi enfrentar da melhor maneira possível. E mais uma vez e, sempre, meus "mosqueteiros", Beth (cunhada/ irmã), Paulo (irmão/ irmão/ irmão), Giulia (sobrinha linda) e Marco (o mais amado dos namorados) estavam ali... Prontos para encarar comigo esta "aventura". Além disso, conto com uma "ajuda celestial". Tenho certeza de que a minha adorada mãe está lá, no paraíso, olhando por mim e me protegendo...

O importante é isso... Receber o que a vida traz e resolver o problema de uma vez por todas... Então, vamos a LUTA!!!!!












quinta-feira, 5 de junho de 2014

Parada Obrigatória

Por razões que talvez eu nunca compreenda nesta vida, mas que entendo tenham sido enviadas pela minha adorada mãe,  fiz uma "parada sabática obrigatória" que serviu para que revisse alguns pontos e para dar uma "geral" na saúde. Afinal, o último ano foi bem difícil, com muitas mudanças e muitos acontecimentos. Cheguei a ter um colapso nervoso, de tão estressada que eu estava.

Mas, como boa libriana e com a cartilha do "isso não acontece comigo" embaixo do braço, iniciei uma série de exames em maio. Foram tantos, que até perdi a conta... Minha querida ginecologista, Patrícia Gonçalves, não esqueceu de nada, não!

Como boa "mulher resolvida e independente" e sempre com o apoio de um companheiro maravilhoso que a vida me deu, li um por um dos laudos que iam saindo pela internet. Glicemia? Triglicérides? Colesterol? Acima do peso? OK! Vamos tratar, que com remédio sara...

Mas, chegou o dia da ressonância das mamas. Com contraste, sem contraste... Vamos lá! Coragem! Isso não acontece comigo...

Cheguei no Delboni cheia de "coragem". Estava mais gelada que a sala... Tive um pressentimento ruim, uma sensação estranha. Entrei naquele tubo, de barriga para baixo... Fiquei imóvel... Fiz o exame e, antes de poder dizer "boa tarde", a médica que realizou o exame saiu correndo e desapareceu atrás da porta... Não deu tempo de articular a velha e boa pergunta "- Tudo bem, Doutora? Estou bem? Deu alguma coisa?"...

Fui para casa e dividi com o Marco a minha angústia... 

Mas, acreditando sempre que "isso não vai acontecer comigo nunca", deixei este assunto na "caixa do nada"...

Dias depois, voltei ao Delboni para outro exame e peguei o resultado da RM. Abri o envelope (lógico) e gelei... 

O resultado? Fica para o próximo post... 




Em breve...